Obra
em área da cracolândia, em SP, é
cercada para evitar usuários de drogas
Obra
em área da cracolândia, em SP, é
cercada para evitar usuários de drogas
Eram como joões-teimosos, os bonecos que
vão e voltam. No terreno de escombros que
dará lugar ao Complexo Cultural da Luz,
os bombeiros do quartel ao lado jogavam água
ontem para apagar os isqueiros das centenas de
usuários de crack que tomavam o lugar.
Bastava
a água e a poeira baixarem para o canteiro
voltar a abrigar dependentes químicos,
moradores de rua e traficantes da cracolândia
--os escombros viraram abrigo após a obra
ser paralisada por uma disputa judicial.
À
tarde, um trator removeu entulhos e, a pedido
da Secretaria de Estado da Cultura, responsável
pelo terreno, a Subprefeitura da Sé cercou
com grades a área entre a avenida Duque
de Caxias, a rua Helvétia e a alameda Barão
de Piracicaba.
Na
Duque de Caixas, também lacrou com cimento
e tijolos as frestas que restavam nos muros ainda
de pé. Com o cercado, os usuários
se aglomeravam meia quadra abaixo, na Barão
de Piracicaba, à vista dos PMs.
Dezenas
de policiais militares e guardas-civis escoltavam
a operação e abordavam traficantes.
Outros 30 agentes de saúde tentavam convencer
os dependentes a procurarem tratamento.
Segundo
a Polícia Militar, 200 pessoas são
abordadas diariamente na região e, de janeiro
até ontem, houve 136 flagrantes de tráfico
e 112 de roubos; 178 foragidos da Justiça
foram capturados.
Ontem,
de 200 a 300 viciados se reuniam debaixo das marquises
dos prédio degradados da cracolândia
que ainda estavam de pé. Fechavam-se em
rodas para dividir a droga e dar cobertura.
Num
dos muros, algum profeta de rua deixou o recado:
"Quando a Luz se apagar, só restarão
os isqueiros".
Fonte:
Folha de São Paulo
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